Profundas reformas nacionais equacionadas por ditador africano

Profundas reformas nacionais equacionadas por ditador africano

O governante totalitarista Teodoro Obiang, presidente da Guiné Equatorial há 30 anos, admite vir a alterar o actual e rígido sistema que vigora nas instituições do país, com vista à aceitação da nação na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), assim como a melhoria da sua própria imagem no cenário internacional.

A decisão esta semana anunciada pelo ditador africano estará relacionada com a sua intenção de aumentar a sua credibilidade, que para já é muito reduzida junto dos líderes mundiais, sobretudo para os representantes políticos do continente onde se encontra localizado o Estado que governa, perante os quais o seu reconhecimento positivo é praticamente nulo.

O novo rumo assumido por Obiang terá sido aconselhado pelo assessor de imagem e advogado Lanny J. Davis, especialista norte-americano de renome na área das relações públicas, que já havia estado por detrás da equipa do ex-presidente Bill Clinton, e que há alguns meses tem aconselhado o ditador africano, que lhe pagará um vencimento anual de 789 mil euros (um milhão de dólares).

A divulgação do desígnio em levar a cabo diversas reformas no decorrer da próxima década surge na mesma altura em que o líder da Guiné Equatorial exprimiu publicamente a sua expectativa de vir a ser o próximo presidente da União Africana (UA), desejo esse que não é nada bem visto pela maioria dos membros desta comunidade, que repudiam as acções daquele governante de políticas unilaterais.

Num discurso proferido na Cidade do Cabo, Obiang anunciou que parte das gigantescas receitas provenientes da exploração petrolífera do país seriam canalizadas para ajudar a população paupérrima da nação. O ditador afirmou ainda que iria convidar o Comité Internacional da Cruz Vermelha Internacional para visitar o país, desafiando a Organização Não-Governamental (ONG) a verificar a ausência das violações dos direitos humanos que são imputada ao regime que lidera.

As palavras do governante da Guiné Equatorial surgem em resposta às acusações que lhe são feitas e se encontram essencialmente baseadas nas «estranhas» votações que consegue acima dos 95 por cento, números esmagadores que alguns especialistas consideram «muito suspeitos». Para Obiang, essas são incriminações falsas, porque, frisa, «o meu país é democrático», acrescentando ainda, em forma de complemento da justificação, que a maioria dos lucros conseguidos com a exploração do gás natural e petróleo são depositados em contas no estrangeiro e não em entidades bancárias da nação, contrariamente ao que diz ser aquilo que os media internacionais veiculam.

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