Manifestações na Grécia matam três pessoas

Manifestações na Grécia matam três pessoas

A escalada de violência em território grego chegou aos níveis mais alarmantes desde o início dos protestos. O resultado deste agravamento é o registo das três primeiras vítimas mortais directamente provocadas pelos actos de impetuosidade que têm sido característicos nos motins organizados naquele país.

Os três mortos resultaram de um incêndio na sucursal de um banco de Atenas, iniciado por um grupo de jovens encapuçados que lançou cocktails molotov para o interior do edifício. Neste espaço bancário estavam 20 pessoas, que terão conseguido escapar ilesas, à excepção das três vítimas mortais, que terão ficado retidas depois de desmaiarem devido à inalação do fumo.

O incidente fatídico ocorreu à margem da greve geral que reuniu cerca de 20 mil pessoas na capital da Grécia, num protesto organizado para demonstrar o desagrado da população pelas medidas de austeridade aprovadas pelo Governo. A iniciativa partiu das maiores plataformas sindicais do país, que há muito tempo vêm alertando para os «desajustados cortes» aprovados pelo Poder Central.

A situação económica da Grécia não sofreu ainda agravamento em termos bolsistas, mas à semelhança do positivismo que houve no mercado especulativo quando a União Europeia (UE) e Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciaram apoio conjunto ao Estado grego, também amanhã os títulos de dívida externa do país devem sofrer agravamentos devido aos acontecimentos de hoje.

Recorde-se que já no passado dia 1 de Maio, Dia do trabalhador, milhares de pessoas se manifestaram um pouco por todo o país, com alguns focos de violência, ainda que isolados. Contudo, na capital grega e em Salónica, cidade a norte do país, a intervenção policial foi crucial para pôr termo aos desacatos, que só terminaram com o uso gás lacrimogéneo e balas de borracha, que as autoridades se viram forçadas a utilizar.

Já esta tarde, os responsáveis europeus da Alemanha e França reiteraram a posição que avançaram no início desta semana, reforçando a convicção de que só disponibilizam as suas verbas para o fundo comunitário de urgência UE/FMI, se houver garantias de pagamento por parte de Grécia. Isto porque, defendem, pedir a outras nações para fazer esforços exige que haja segurança de retorno, caso contrário será apenas agudizar a situação de alguns países em prol da recuperação de outro.

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