“Banquete Régio” em Vilarinho do Bairro
- 18 Junho 2010
Pela primeira vez desde o início da sua existência a Escola Básica nº 2 de Vilarinho do Bairro viajou até ao passado. Mais propriamente até à época dos Descobrimentos. Tratou-se de uma actividade dinamizada pelo Departamento de Ciências Sociais e Humanas, enquadrada na celebração do Feriado do Dia 10 de Junho.
Teve a participação de grande parte do corpo docente e ainda de algum pessoal não docente. Foi grande a colaboração, tanto na preparação das iguarias, como na decoração do espaço, que contava com três mesas, representando os três continentes colonizados pelos Portugueses. Daí surgiu uma ementa também ela enquadrada com a época, que incluía quatro etapas, como segue - Primo: Vitualhas e outras espécies. Vynho bramquo e vynho vermelo; Secundo: Desfeito de galynha em caldo mourysquo; Tertio: Tigelladas de viandas de capoeira e pescados nobres, adubados em especiarias do oriente e lançados em molho de coco. Covilhetes de arroz alvo; Quattor: Manjares de leite. Paão de lio, fartães de cacau e outras cousas de comer. Bocados de frutos raros.
O repasto contou com a presença do Rei Venturoso, D. Manuel I e sua esposa (bem, uma das suas esposas, já que teve três, mas não sabemos qual compareceu!), bem como de alguns ilustres representantes da Nobreza portuguesa da época.
Foi antecedido de um discurso de Sua Majestade, do qual seria importante respigar algumas breves passagens: «Assim vos alembro, senhores, que podereis beber, comer e fartar, mas em discreto arruído, que não devereis cuspir para o chão, nem escarafunchar vossas ventas, nem lançar os ossos para cima da mesa, nem coçar as partes menos próprias da vossa virilidade, por decoro e respeito às donas que aqui estão».
A estas importantes recomendações seguiram-se outras, igualmente fundamentais, dirigidas às damas presentes, para que «mastiguem de boca fechada, arrotem para o limpa beiças e limpem a gordura das viandas à manga do vestido e nunca à bainha da toalha».
De igual modo não foi descurada a hipótese de se darem uns pés de dança, no final do almoço, «mas com poucos saltos e cabriolices, pois podereis inchar, e no aperto, lançar ventosidades menos próprias, para vossa vergonha, pois se fará ouvir e sentir».
Texto e foto: Rui Godinho
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